Por Dentro do Boi de Pindoba, São João do Maranhão

por Zeca Santos;

A prefeitura de São Luiz do Maranhão antecipou os festejos de São João. Com objetivo de incentivar mais o turismo no estado. Então no meio do mês de Maio, organizou um encontro entre os diversos tipos de Bumba Meu Boi. O evento chamou-se Maranhão de Reencontros. O evento aconteceu na concha acústica

A história do Bumba Meu Boi no Maranhão origina-se no século XVIII, oriundo da junção das culturas indígena, africana e europeia. Na época, o gado representava grande riqueza para os barões locais. A história acabou funcionando como uma metáfora de resistência dos povos escravizados e indígenas contra a elite agrária.

A manifestação é uma celebração teatral e musical baseada na lenda da morte e ressurreição de um boi, que se tornou um símbolo de resistência cultural.

A lenda gira em torno do casal de escravizados Pai Francisco e Catirina. Grávida, Catirina deseja comer a língua de um boi. Para satisfazer o desejo da esposa, Pai Francisco abate o boi mais bonito e valioso da fazenda. Quando o fazendeiro descobre a morte do animal, manda prender Pai Francisco. Para salvar o escravizado e reviver o boi, são chamados pajés e curandeiros, que realizam um ritual de cura. Com a ressurreição do animal, todos celebram com muita música e dança.

Fomos circular por dentro do Boi de Pindoba(uma palavra de origem Tupi,que significa palmeira pequena ou a brotação do babaçu). Um dos principais grupos de Boi de matraca.

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Vamos conhecer por dentro de um Boi, seus instrumentos e seus personagens. Já conheceu o Pai Francisco acima. Agora, vamos ao personagem principal o Boi.

Pandeirões, é o coração e a “alma” de festejos tradicionais, com destaque para as manifestações do Bumba Meu Boi no Maranhão. É um instrumento indispensável no Bumba Meu Boi, principalmente nos sotaques de Matraca e de Orquestra/Baixada. O instrumento é feito com um aro de madeira largo e coberto por couro (geralmente de bode ou cabra) esticado, podendo ou não ser guarnecido por platinelas (soalhas). Produz um som grave e encorpado que sustenta a marcação rítmica.

Caboclo de Pena, é o guardião espiritual do Bumba Meu Boi do Maranhão. Típico do sotaque de matraca, representa os povos nativos, ele guarda a tribo e abri os caminhos na mata. Suas roupas são 100% artesanais, compostas por cerca de 11 peças cobertas de penas, podendo chegar a 25 kg. No enredo, atua diretamente na captura de Pai Francisco após o sumiço do boi. Seu bailado são giros no rítmo marcado pelas matracas e pandeirões. A saber que esse personagem é tombado pelo Patrimônio Cultural do Brasil.

Como a indumentária do Caboclo de Pena pesa uns 25Kg e eles giram muito, que nem as baianas numa escola de samba, acidentes acontecem…

A saber, que todas as indumentárias são feitas pelos próprios dançantes, exceto as crianças que ai são as mães que costuram.

Todas as fotos e imagens usadas nessa matéria são do fotógrafo e nosso editor Zeca Santos.

Maracá é um instrumento de percussão do tipo chocalho, originalmente feito com uma cabaça seca ou fruto oco recheado de sementes ou pedrinhas, presa a um cabo de madeira(hoje em dia é todo de aluminio). Presente na cultura indígena, usado para marcar o rítmo em cantos ou atos religiosos…;

Matraca, a palavra tem origem árabe, que significa martelo de madeira, sendo um instrumento de percussão com som estridente. Que em conjunto com os pandeirões, maracás e tambores onça, dão ritmo e arrastam uma multidão de apaixonados pela cultura popular maranhense por avenidas, ruas e arraiais durante o período junino. Surgiu no século VII, e era usada nas sextas-feiras da paixão em substituição a festividades dos sinos.

A festividade acontece principalmente nos meses de junho e julho, durante as festas juninas, com ápice no dia 30 de junho, Dia de São Marçal.

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